quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Aprendi a ver a vida do meu jeito, aprendi a ver quem são as pessoas que me fazem bem, as que me fazem mal, e as que não fazem simplesmente nada. Aprendi que o que realmente vale a pena é o momento vivido, que depois, ele pode não ter a mesma intensidade. Aprendi a continuar de cabeça erguida, a lutar pelas coisas que acredito e a chorar pelas coisas que perdi. Aprendi a ver que há certas coisas na vida que o tempo não apaga, mas que outras, por mais que demore, ele apaga sim. Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém, apenas dar boas razões para que gostem de mim, e ter paciência, para que a vida faça o resto. Aprendi a ouvir críticas, e elogios, a criticar e elogiar. Aprendi a seguir meu coração antes de seguir qualquer outra coisa. Vi que a vida não é o castelo encantado que pensei ser, mas que pode se tornar melhor que isso se souber viver.'
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Amar?
Amar
Que pode uma criatura senão,
senão entre criaturas, amar?
amar e esquecer,amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amorososozinho,
em rotação universal, senãorodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,o que ele sepulta,
e o que, na brisa marinha,é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,um vaso sem flor,
um chão de ferro,e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.Este o nosso destino:
amor sem conta,distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossaamar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade
Que pode uma criatura senão,
senão entre criaturas, amar?
amar e esquecer,amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amorososozinho,
em rotação universal, senãorodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,o que ele sepulta,
e o que, na brisa marinha,é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,um vaso sem flor,
um chão de ferro,e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.Este o nosso destino:
amor sem conta,distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossaamar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade
Assinar:
Postagens (Atom)